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AMPLIANISMO

Aula 1 · Amplianismo exemplificado

Uma pergunta que todo mundo já viveu

A bola quebrou a janela.

Quem paga? Quem chutou? Quem mandou jogar ali? E a criança que chutou pode jogar de novo amanhã?

Quando algo dá errado, quem paga? E quanto custa tentar de novo?

Toda família, escola, empresa e país responde a essas duas perguntas. Às vezes por escrito. Quase sempre sem perceber.

Aula 2

O que já pensaram antes

Desde que o mundo é mundo, gente muito inteligente tentou responder. Cada um iluminou uma parte da resposta, e todos continuam valendo. Aqui vai cada um em três linhas, simplificando muito.

  1. Cerca de 1750 a.C. · Babilônia

    Código de Hamurabi

    Perguntou: se a casa cai, quem paga?

    Acertou: quem constrói responde pela obra.

    Ficou em aberto: a pena era cruel, mudava conforme a classe de quem sofria e às vezes caía em quem não tinha culpa, como o filho do construtor.

  2. Tradição bíblica · Levítico 25 e Deuteronômio 15

    O perdão das dívidas

    Perguntou: e quem se endividou e não consegue sair?

    Acertou: a lei mandava perdoar as dívidas a cada sete anos e, a cada cinquenta, devolver a terra às famílias. O recomeço virava regra, e não favor.

    Ficou em aberto: a lei falava de dívidas e de terras. Levar a mesma ideia para a escola, a empresa e o governo é tarefa de cada geração.

  3. De 300 a.C. a 180 d.C. · de Zenão a Marco Aurélio

    Estoicismo

    Perguntou: o que depende de mim?

    Acertou: cuide do que depende de você e seja justo com os outros. A justiça era uma das quatro virtudes.

    Ficou em aberto: é uma escola de como cada um age. Como a conta se divide numa empresa ou num país é outra pergunta, e uma ajuda a outra.

  4. Séculos XVII e XVIII · Locke e Adam Smith

    Liberalismo

    Perguntou: quem decide, e quem segura quem decide?

    Acertou: ninguém acima da lei, e pessoas livres, trocando no mercado, criam riqueza.

    Ficou em aberto: às vezes o lucro fica com poucos e a conta do erro vai para todos.

  5. Séculos XVIII e XIX · Bentham e Mill

    Utilitarismo

    Perguntou: o que faz mais gente feliz?

    Acertou: olhar o resultado das decisões.

    Ficou em aberto: somar a felicidade de todos pode esquecer quem está em minoria. O próprio Mill passou a vida tentando resolver isso.

  6. Século XIX · Karl Marx

    Socialismo

    Perguntou: quem é dono?

    Acertou: viu que, nas crises, quem trabalha costuma perder primeiro.

    Ficou em aberto: onde virou governo de partido único, sem imprensa livre nem oposição, ninguém podia avisar o erro.

  7. 1971 · John Rawls

    O véu da ignorância

    Perguntou: que regra você escolheria sem saber onde vai nascer?

    Acertou: a regra justa protege quem nasce na pior posição.

    Ficou em aberto: imaginou um mundo em que todo mundo cumpre a regra. O que fazer quando alguém erra, ele deixou para outra conversa.

  8. 2018 · Nassim Taleb

    Pele em jogo

    Perguntou: quem decide pelos outros arrisca alguma coisa?

    Acertou: quem decide pelos outros tem que ter a pele em jogo. Taleb nos ensinou metade da regra.

    A outra metade: o recomeço barato para quem está embaixo. É a metade que o Amplianismo junta à dele.

  9. Hoje · juntando as metades

    Amplianismo

    Pergunta: quando dá errado, quem paga? E quanto custa tentar de novo?

    Responde: quem tem mais poder responde mais. Quem tem menos recomeça mais barato.

    Acrescenta: junta as duas metades numa regra só, e a regra vale para a empresa, o governo, a família e para a própria tese.

    Ainda precisa provar: que funciona fora do papel. Se errar, a régua vale para ela também.

E o direito, de Roma até hoje, sempre perguntou quem repara o estrago. O Amplianismo usa essas respostas e junta a metade do recomeço.

Aula 3

A regra, do jeito que uma criança entende

Quem manda mais responde mais pelo erro.

Quem tem menos recomeça mais barato.

Todo mundo pode tentar de novo. Para quem tem menos, tem que custar pouco.

Nas palavras do livro: ninguém acima do erro, ninguém abaixo do recomeço.

Duas letrinhas importantes

A conta sobe sem precisar de culpa. Se um carro da prefeitura bate no seu, você cobra da prefeitura. Precisa mostrar o estrago e que foi o carro dela, mas não precisa provar que alguém teve culpa.

A culpa se prova. O motorista só paga à prefeitura se ficar provado que ele teve culpa.

E o recomeço tem degraus

Primeira vez: barato. Errar faz parte de aprender.

De novo: custa mais.

De propósito: primeiro paga a conta inteira, depois pode tentar de novo.

Aula 4

Três perguntas para levar no bolso

  1. Sinal

    Quem consegue ver o erro e avisar sem medo?

  2. Conta

    Quem paga primeiro: quem decidiu ou quem executou?

  3. Porta

    Alguém está trancando a porta de outra pessoa, sem dizer quem, por que e até quando?

Aula 5

Na prática, do tapete da sala até a cidade

Em casa

A criança derrubou o suco no tapete.

Pela régua: na primeira vez, limpa junto e tenta de novo. Se fizer de propósito, limpa sozinho e ajuda a pagar o tapete.

Na escola

Tirou nota ruim na primeira prova.

Pela régua: escola boa deixa refazer e aprender, e a lei já manda oferecer recuperação. Escola que só castiga ensina a esconder a nota.

No trabalho

O chefe aprovou o projeto, e deu errado.

Pela régua: a conta começa em quem decidiu, não no estagiário que executou.

No avião

Quando um avião cai, a investigação técnica existe só para evitar o próximo acidente, e o que se conta nela não vira prova contra ninguém. Achar culpado é trabalho de outra investigação, a da polícia.

Pela régua: quem conta o erro sem medo salva quem vai voar amanhã.

Na cidade

Um carro da prefeitura bateu no seu.

Pela régua: você cobra da prefeitura e não precisa provar que o motorista errou. Basta mostrar o estrago e que foi o carro dela. Depois ela pode cobrar do motorista, se provar que ele teve culpa.

No aplicativo

O entregador foi bloqueado pelo aplicativo, sem explicação.

Pela régua: toda porta fechada precisa de uma pessoa com nome para rever, um motivo dito e um prazo para responder.

Aula 6

Sua vez: use a régua

Leia o caso, pense nas três perguntas e toque para ver a resposta.

1O gerente mandou vender um produto que ele sabia que tinha defeito. O vendedor vendeu. Quem paga primeiro?Ver a resposta

A loja e quem decidiu. Quem compra cobra da loja e não precisa provar de quem foi a culpa. O vendedor só responde se sabia e escondeu de propósito.

2Você errou no trabalho, de boa-fé, e ninguém viu. Conta ou não conta?Ver a resposta

Conta cedo. Erro contado cedo é barato de consertar. Erro escondido cresce e, quando aparece, custa o recomeço.

3O banco bloqueou a sua conta e ninguém explica por quê.Ver a resposta

A régua acendeu na pergunta da Porta. Uma porta fechada sem nome, sem motivo e sem prazo é injusta, mesmo quando o bloqueio tem razão de existir. Peça quem decidiu, o motivo e até quando.

4Seu filho tirou a primeira nota vermelha e escondeu o boletim.Ver a resposta

Dois assuntos, dois preços. A nota é a primeira vez: barato, estuda e refaz. Esconder é outro erro, e custa mais. Assim ele aprende que contar sai mais barato do que esconder.

Para lembrar

Quem manda mais responde mais. Quem tem menos recomeça mais barato.

E a bola da Aula 1?

Quem responde primeiro pela janela é o adulto responsável pela criança. A lei já diz isso. A criança ajuda a reparar, aprende onde não jogar e joga de novo amanhã. Se quebrou de propósito, paga mais caro.

E o estoicismo?

O estoicismo pergunta: o que depende de mim?

O Amplianismo pergunta: quando dá errado, quem paga, e quanto custa tentar de novo?

Um ensina cada um a agir com calma e justiça. O outro mostra como dividir a conta. Um completa o outro.

E na sua casa, quando dá errado, quem paga?

Eu sou amplianista.

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